Critérios de estabilidade e coexistência de fases a partir das energias livres de Helmholtz e Gibbs.
Para determinar os estados de equilíbrio, é necessário calcular o mínimo da energia livre reduzida \(g(t,p)\) em função do volume reduzido \(v\); isto é, impor \(dg=0\). Assim, a partir da expressão acima, podemos examinar o comportamento de \(g(v)\) para diferentes pressões, em paralelo com a isoterma reduzida \(p(v)\).
Em cada curva \(g(v)\), o símbolo \(\times\) marca o(s) volume(s) de equilíbrio associado(s) ao par \((t,p)\). No exemplo abaixo, consideramos \(t=0.9\). Para uma pressão baixa, \(p=0.40\), a equação de estado indica um único volume de equilíbrio em aproximadamente \(v=4.91\). O gráfico de \(g(v)\) exibe um único mínimo nesse volume, confirmando o comportamento de uma fase gasosa de alta compressibilidade.
Quando aparecem dois mínimos, cada um corresponde a uma fase localmente possível, líquida ou gasosa. O equilíbrio termodinâmico é dado pelo mínimo global de \(g(v)\); na coexistência, os dois mínimos têm o mesmo valor de energia livre.
Simulador interativo: varie \(t\), \(p\) e \(v\) para acompanhar como os mínimos de \(g(v)\) aparecem, desaparecem e se igualam na coexistência líquido-gás.
Abrir simulador p(v) e g(v)
À medida que a pressão aumenta, o sistema se aproxima do limite inferior da região de instabilidade mecânica em \(p_{\min}=0.420\). Nesse ponto, o mínimo de energia em grandes volumes coexiste com um ponto de inflexão que surge em volumes menores. Para \(p>p_{\min}\), esse ponto de inflexão transforma-se em um segundo mínimo de energia livre: um associado ao gás, com grande volume \((v_g)\), e outro associado ao líquido, com pequeno volume \((v_\ell)\), separados por uma barreira de energia.
Dentro da região espinodal, \(p_{\min}<p<p_{\max}\), os dois mínimos persistem. Na pressão de equilíbrio \(p_{eq}=0.647\), as energias livres se igualam: o sistema coexiste em duas fases com volumes \(v_\ell \approx 0.603\) (líquido) e \(v_g \approx 2.349\) (gás).
Ao elevar ainda mais a pressão, chega-se ao limite superior da instabilidade mecânica, em \(p_{\max}=0.724\). Nesse ponto, o mínimo associado ao gás torna-se um ponto de inflexão; resta apenas o mínimo em volumes pequenos, característico de uma fase líquida pouco compressível. Para pressões bem acima de \(p_{\max}\), como \(p=0.80\), a equação de estado possui um único volume de equilíbrio em aproximadamente \(v=0.581\), coincidente com o único mínimo de \(g(v)\).
A análise pela energia livre mostra que o equilíbrio corresponde sempre ao mínimo global de \(g(v)\), descartando os volumes associados à compressibilidade negativa. Para representar esse comportamento de forma consistente no diagrama \(p(v)\), é necessário um procedimento adicional que leve em conta a coexistência líquido-gás: a construção de Maxwell, tema da próxima subseção.